Como se faz
Antes de lidar com uma emoção é preciso poder nomeá-la. Uma criança que só tem «bem» e «mal» vive as tempestades de dentro como um caos sem nome — e o que não se nomeia, se atua: bate, grita, quebra. Ampliar o vocabulário emocional dele é uma das coisas mais úteis que você pode dar, e não custa nada.
Não é uma aula, é um costume:
- Nomeie para ele o que você vê. «Você está frustrado porque a torre não fica em pé.» «Como você está animado.» «Você parece decepcionado.» Você empresta a ele a palavra exata para o que sente, e aos poucos ele a torna sua.
- Nomeie as suas também. «Estou cansada e por isso falo curto, não é com você.» «Fiquei com vergonha quando errei.» Ver você nomear as suas emoções ensina a ele que dá, e que sentir não é perigoso.
- Sem corrigir o sentimento. Não há emoções proibidas: a raiva, o ciúme e o medo se nomeiam igual à alegria. Acompanha-se o que se sente; guiam-se as condutas, não os sentimentos.
Um termômetro de cores, rostinhos desenhados, ou simplesmente a palavra dita na hora certa: ferramentas para ele aprender a ler o próprio clima interior.
O que constrói — o porquê
Dá a ele a base de toda a inteligência emocional: se pode nomear o que sente, pode pensá-lo em vez de só explodi-lo. As crianças com vocabulário emocional amplo lidam melhor com os conflitos e pedem ajuda a tempo. E nomear as próprias emoções na frente dele ensina a ele que a vida interior pode ser falada — o que abre a porta para que, grande, ele te conte o que se passa em vez de engolir. A âncora é a sensação de ser entendido: quando você põe o nome exato no que ele sente, a criança se solta visivelmente, porque enfim alguém a viu.
Como muda com a idade
0–2 Bebês
3–5 Primeira infância
6–9 Infância
Variações
Um pôster ou roda de emoções à vista ajuda quem tem dificuldade de achar a palavra: apontar é mais fácil que dizer. Versão com livros: as histórias são um laboratório seguro para nomear o que os personagens sentem antes de nomear o próprio.
O que observar no seu filho
Cada criança tem a própria temperatura emocional: umas são um livro aberto, outras guardam tudo por dentro e é preciso dar mais tempo e menos perguntas. Não transforme o nomear em interrogatório («e agora o que você sente? e agora?»): às vezes só é preciso estar junto. E atenção a premiar só as emoções confortáveis: se a alegria se celebra e a raiva se castiga, a criança aprende a esconder metade do que sente. Todas se nomeiam, todas cabem.