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O nome do que eu sinto

Uma criança que sabe dizer «estou frustrado» bate menos que a que só sabe gritar. Pôr nome nas emoções, dia após dia, é dar a ele o mapa para não se afogar nelas.

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Como se faz

Antes de lidar com uma emoção é preciso poder nomeá-la. Uma criança que só tem «bem» e «mal» vive as tempestades de dentro como um caos sem nome — e o que não se nomeia, se atua: bate, grita, quebra. Ampliar o vocabulário emocional dele é uma das coisas mais úteis que você pode dar, e não custa nada.

Não é uma aula, é um costume:

  1. Nomeie para ele o que você vê. «Você está frustrado porque a torre não fica em pé.» «Como você está animado.» «Você parece decepcionado.» Você empresta a ele a palavra exata para o que sente, e aos poucos ele a torna sua.
  2. Nomeie as suas também. «Estou cansada e por isso falo curto, não é com você.» «Fiquei com vergonha quando errei.» Ver você nomear as suas emoções ensina a ele que dá, e que sentir não é perigoso.
  3. Sem corrigir o sentimento. Não há emoções proibidas: a raiva, o ciúme e o medo se nomeiam igual à alegria. Acompanha-se o que se sente; guiam-se as condutas, não os sentimentos.

Um termômetro de cores, rostinhos desenhados, ou simplesmente a palavra dita na hora certa: ferramentas para ele aprender a ler o próprio clima interior.

O que constrói — o porquê

Dá a ele a base de toda a inteligência emocional: se pode nomear o que sente, pode pensá-lo em vez de só explodi-lo. As crianças com vocabulário emocional amplo lidam melhor com os conflitos e pedem ajuda a tempo. E nomear as próprias emoções na frente dele ensina a ele que a vida interior pode ser falada — o que abre a porta para que, grande, ele te conte o que se passa em vez de engolir. A âncora é a sensação de ser entendido: quando você põe o nome exato no que ele sente, a criança se solta visivelmente, porque enfim alguém a viu.

Como muda com a idade

0–2 Bebês
O bebê já sente tudo mas não tem palavras. Empreste-as a ele, em voz alta e com tom caloroso: «você está com fome», «você está cansadinho», «que susto». Ele não entende o dicionário, mas aprende que os seus estados têm nome e que você os vê e os atende. Essa é a primeira pedra da regulação.
3–5 Primeira infância
A idade das emoções enormes num corpo pequenininho. Nomeie na hora — mesmo em plena birra, com calma: «você está furioso» — sem exigir que ele se acalme por ter falado. Histórias, rostos e brincadeiras de emoções dão a ele um vocabulário que em plena crise ainda não consegue usar, mas que vai guardando.
6–9 Infância
Ela já distingue emoções mais finas: frustração, vergonha, ciúme, decepção. Ajude-a a afinar o vocabulário e a ver que dá para sentir duas coisas ao mesmo tempo — contente e nervosa, gostar de alguém e estar brava. Aqui ela começa a poder falar do que sente depois, quando a onda baixou.

Variações

Um pôster ou roda de emoções à vista ajuda quem tem dificuldade de achar a palavra: apontar é mais fácil que dizer. Versão com livros: as histórias são um laboratório seguro para nomear o que os personagens sentem antes de nomear o próprio.

O que observar no seu filho

Cada criança tem a própria temperatura emocional: umas são um livro aberto, outras guardam tudo por dentro e é preciso dar mais tempo e menos perguntas. Não transforme o nomear em interrogatório («e agora o que você sente? e agora?»): às vezes só é preciso estar junto. E atenção a premiar só as emoções confortáveis: se a alegria se celebra e a raiva se castiga, a criança aprende a esconder metade do que sente. Todas se nomeiam, todas cabem.