Como se faz
Quando viajarem — ou no fim de semana, se houver uma por perto — entrem numa feira de verdade, dessas com barracas e vozes, não um supermercado. É uma aula de mundo que entra pelo nariz e pela língua. A palavra de ordem: viemos olhar, cheirar, provar e perguntar, não só comprar.
- Prova-se antes de comprar. O pedacinho de fruta que não conheciam, o queijo que a senhora oferece. O sabor novo é a porta para a curiosidade — e para conversar com quem vende.
- Pergunta-se de onde vem. «Isto cresce aqui?» «Como se cozinha?» A gente da feira sabe e adora contar. Seu filho aprende que por trás de cada coisa há uma história e uma pessoa.
- Dá-se a ele uma nota e uma missão. Comprar as laranjas, achar o melhor preço, pagar e trazer o troco. Lidar com dinheiro real num lugar real é uma lição que o caixa automático roubou da geração dele.
- Pechincha-se com respeito, onde for costume. Em muitas feiras o preço se conversa. Ver o pai ou a mãe negociar com simpatia — sem abusar — ensina uma dança social que não está em livro nenhum.
O que constrói — o porquê
Curiosidade pelo diferente e o gosto pelo real — o produto ainda com terra, a pessoa que o plantou ou o trouxe. Seu filho desperta os sentidos (o cheiro do cominho, a explosão de uma manga provada na barraca) e com eles aprende que o mundo é diverso, saboroso e cheio de gente com histórias. Esse sabor novo, associado a uma tarde com você, é memória que dura.
Como muda com a idade
3–5 Primeira infância
6–9 Infância
10–12 Pré-adolescência
13–15 Adolescência inicial
O que observar no seu filho
Seu filho se lança a provar e perguntar ou se retrai diante do desconhecido e da multidão? Ao curioso, dê corda; ao cauteloso, não o force a comer o que lhe dá nojo nem a falar se lhe dá vergonha — respeite o ritmo dele e celebre cada pequena ousadia. E observe como ele trata os vendedores: se olha nos olhos, cumprimenta, agradece. A feira é uma prova surpresa de como ele se relaciona com gente que não é do mundo dele.